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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Nilmário Miranda avalia as eleições 2010, faz críticas ao apoio da mídia a Aécio e se posiciona sobre os temas polêmicas do Plano Nacional de Direitos Humanos

Carolina Argamim Gouvêa, João Eurico Heyden Jr. e Wanessa Fagundes

            O ex-deputado federal Nilmário Miranda, que ocupou o cargo de Secretário de Direitos Humanos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está atualmente à frente da Fundação Perseu Abramo, instituição dedicada à educação política. Candidato derrotado à Câmara dos Deputados, Nilmário, em entrevista ao Blog Vertentes e Política, faz uma avaliação das eleições 2010 e diz que houve um desejo de continuidade tanto na vitória de Dilma Rousseff (PT) quanto de Antônio Anastásia (PSDB) em Minas Gerais. No entanto, critica a forma como a mídia apóia o ex-governador Aécio Neves e diz que a divisão do PT mineiro foi mais um dos motivos da vitória tucana no estado. Questionado se irá ocupar algum cargo no futuro governo petista, ele declarou que pretende continuar à frente da Fundação Perseu Abramo, onde tem mandato até 2012.
            Em sua avaliação sobre as eleições 2010, Nilmário disse que o fundamentalismo religioso utilizado por candidatos para angariar votos foi um retrocesso, porque “vivemos num Estado laico”. Em relação às polêmicas sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, ele minimizou e deixou claro que é a favor da união civil dos homossexuais, defende que o aborto seja tratado como um tema de saúde pública e contesta que haja intenção de censurar a mídia. Segundo o ex-deputado, a proposta é de democratizar a comunicação no país.
           

Blog Vertentes e Política - O PT cresceu ainda mais nestas eleições. Será que o senhor pode comentar sobre os motivos de tal fortalecimento?
Nilmário Miranda - O PT vem crescendo desde que disputou pela primeira vez, em 1982. Começou com oito deputados federais (1982), passou para 15 (1986), saltou para 50 (1994) até chegar aos 88 eleitos para a próxima legislatura, a maior bancada na Câmara. Tem o maior número de deputados estaduais (149), é a segunda maior bancada no Senado (14). Além da presidente da República eleita, fez 5 governadores e tem 560 prefeitos e 3.500 vereadores. Só não cresceu mais por causa do sistema político eleitoral que dificulta a formação de maiorias programáticas.

Blog Vertentes e Política - Qual a sua opinião acerca do futuro governo Dilma? Ela deve manter as mesmas posturas de Lula?
Nilmário Miranda - Dilma foi eleita para dar continuidade ao projeto político-econômico-social-cultural do governo Lula, do qual fui peça importante. Mas ela sabe que as conquistas obtidas estão já assimiladas e é preciso ir além, avançar porque o passivo histórico é enorme: as desigualdades.

Blog Vertentes e Política - O senhor já foi deputado estadual, deputado federal, secretário dos Direitos Humanos no governo Lula, e já concorreu duas vezes ao governo de Minas Gerais. Como foram tais experiências?
Nilmário Miranda - Como deputado estadual, fui líder do PT na Constituinte Estadual e tive papel destacado na campanha de Lula em 1989. Foi minha primeira experiência de mandato popular e um grande aprendizado. Como deputado federal colaborei com meu país dedicando-me à reforma urbana no primeiro mandato (1990-1994): como patrono do projeto de iniciativa popular do direito à moradia para os pobres, como relator do Estatuto das Cidades. No segundo e terceiro mandatos (1994/1998 e 1998/2002) concentrei-me nos direitos humanos (criação da Comissão de Direitos Humanos que presidi em 95 e 99; tipificação do crime de tortura; estatuto do refúgio; reconhecimento pelo o Estado de sua responsabilidade nas mortes e desaparecimentos políticos; combate aos grupos de extermínio e muitos outros). Como Ministro dos Direitos Humanos – o primeiro com este status no país – procurei a universalização dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. Ter sido candidato ao governo de Minas foi uma honra para mim.

Blog Vertentes e Política - Já há algum cargo em vista no governo Dilma? Afinal, seu desempenho durante o governo Lula foi bem elogiado, não?
Nilmário Miranda - Atualmente presido a Fundação Perseu Abramo do PT, destinada à educação política, à difusão de valores, à guarda da memória do PT, à investigação histórica e que dispõe de uma boa editora. Tenho mandato até 2012. A FPA realizou importante pesquisa sobre a condição da mulher; o racismo; a juventude; os idosos; LGBT e indígenas, de muito valia para o PT, movimentos sociais, academia, mídia, ONGs.

Blog Vertentes e Política - Nesta eleição repetiu-se a hegemonia do PSDB no governo do estado. Com apoio massivo de Aécio Neves, Anastasia conseguiu se reeleger. Em Minas, os votos garantiram a continuidade dos partidos tanto em âmbito federal (PT) quanto em estadual (PSDB). Você vê o povo mineiro como continuísta?
Nilmário Miranda - No caso de Dilma, apesar do esforço de Aécio/ Anastasia/ Itamar, o povo deu a Dilma 1,8 milhão de votos a mais que o oponente. No caso de Anastasia, em que pese o esforço de Dilma, Lula, PT, PCdoB, PMDB e PRB, o povo o elegeu com quase o dobro dos votos. Em ambos os casos votou pela continuidade. 

Blog Vertentes e Política -  Aécio Neves o venceu duas vezes aqui em Minas. Que fator o senhor considera ser decisivo para essa sequência de vitórias tucanas no governo do Estado?
Nilmário Miranda - Sem tirar o mérito dos vencedores, considero prejudicial o apoio integral, exclusivo da mídia aos tucanos. Ardilosamente ele vinculou suas duas eleições ao desejo dos mineiros de voltar a eleger o presidente. Tudo tem sua hora e sua vez. Lula perdeu três vezes antes de ganhar em 2002.

Blog Vertentes e Política - O senhor acredita que existe uma crise no PT mineiro devido ao racha entre a ala de Patrus e Pimentel?
Nilmário Miranda - A divisão no PT mineiro é uma das razões da derrota em Minas. 

Blog Vertentes e Política - Mesmo sendo um político de muita história, o senhor não conseguiu se eleger deputado federal nestas eleições. A que se deve este fato?
Nilmário Miranda - Na cidade de onde vim, Teófilo Otoni, diz-se que a pessoa perde eleição, porque faltou votos. Fiquei 12 anos sem disputar eleição parlamentar e não consegui atingir e convencer mais eleitores como “candidato de opinião”.

Blog Vertentes e Política - Em seu twitter o senhor declarou que "Voto nominal já é voto falido. Reforma política ajuda se aprovar o voto em lista e o financiamento público de campanha". Quais seriam os pontos desta reforma política?
Nilmário Miranda - Financiamento privado com caixa dois e relações estranhas com os doadores x financiamento público com teto de gastos. Voto em lista pré-ordenada de modo democrático pelos partidos, politizando as campanhas. Fidelidade partidária. Proibição de coligações proporcionais. Estimular plebiscitos, referendar, iniciativa popular de leis.

Blog Vertentes e Política -  Quais foram as principais vitórias do governo Lula em relação aos Direitos Humanos, área em que o senhor é um grande defensor?
Nilmário Miranda - Desde a Constituição de 1988 houve avanços com relação aos direitos humanos civis e políticos. No governo Lula cresceram os direitos humanos econômicos, sociais e culturais.

Blog Vertentes e Política - Em relação ao PNDH 3, qual é o seu posicionamento sobre as questões relacionadas ao aborto, união civil entre homossexuais e controle da mídia? O snehor participou da elaboração do PNDH 3?
Nilmário Miranda - O PNDH-3 não propõe controle da mídia: propõe a democratização do direito à comunicação. A união civil de homossexuais já vem desde o PNDH-1 e PNDH-2 feitos durante o governo FHC, e eu defendo. No Brasil já há a previsão dos abortos em dois casos desde 1991. No governo Lula o aborto passou a ser tratado como tema da saúde pública.

Blog Vertentes e Política - O que achou da postura que os candidatos Dilma e Serra adotaram frente ao fundamentalismo religioso nas eleições?
Nilmário Miranda - Achei um retrocesso a tentativa de usar temas religiosos para manipular e induzir votos. No Brasil o Estado é laico, tem um caráter multietnico, multicultural e multireligioso.

Blog Vertentes e Política - Quais são seus planos para o futuro?
Nilmário Miranda - Não sou profissional da política. Até 2012 cumprirei prazeirosamente meu mandato na Fundação Perseu Abramo e de militante de direitos humanos na sociedade civil, e praticarei o jornalismo no meu blog e twitter, além da colaboração eventual à mídia impressa.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Vereadora Sílvia Fernanda (PMDB) relata as suas polêmicas na Câmara, declara que apoiou o PSDB nas eleições de 2010 e desmente acusações de racismo

Carol Slaibi, Eduardo Maia e Rômer Castanheira


A vereadora Sílvia Fernanda de Almeida (PMDB), da Câmara Municipal de São João del-Rei, tem se destacado no cenário político da cidade por seu envolvimento em polêmicas, principalmente em acusações decorrentes de suas afiadas palavras. Eleita em 2008, Sílvia, que é bacharel em Direito e professora aposentada, já foi, inclusive, considerada racista, numa polêmica com o vereador Gilberto Luís dos Santos (PT). Em entrevista exclusiva ao Blog Vertentes e Política, concedida aos alunos do curso de Jornalismo, a vereadora esclarece algumas acusações, apresenta os seus projetos desenvolvidos e critica a divisão do poder público no Brasil.
Questionada sobre a sua posição nas eleições de 2010, Sílvia Fernanda fala abertamente sobre o seu apoio ao governador Antônio Anastásia e ao ex-ministro José Serra para Presidência da República, ambos do PSDB. Declara com naturalidade as suas opções, mesmo tendo contrariado a orientação do seu partido, o PMDB, que lançou Hélio Costa para o governo de Minas Gerais e selou um acordo para apoiar Dilma Rousseff (PT). Uma de suas justificativas é de que o PMDB hoje é um partido fisiologista – “uma mistura de cobra com jacaré”.

Blog Vertentes e Política - No primeiro turno das eleições, o candidato Antônio Anastásia (PSDB) venceu o candidato Hélio Costa (PMDB), filiado ao seu partido, nas eleições estaduais. A senhora seguiu o princípio do prefeito Nivaldo, de apoio a Anastasia ou apoiou o candidato de seu partido, derrotado?
Vereadora Sílvia Fernanda de Almeida (PMDB)
Silvia Fernanda - Nunca, como cidadã ou como política, me interessei pelas eleições externas, porque só estou na política por meu amor a São João del-Rei. Encontrei Hélio Costa em um jantar e disse que votei nele nas eleições anteriores para senador e que me decepcionara por demais, ao colocar em seu lugar “aquele tal” de Welington Salgado. Ele não é político, porque foi senador sem ter nenhum voto. Eu tinha, assim, uma discordância muito grande com o candidato Hélio Costa. Como nós de São João del-Rei temos uma tendência a seguir sempre o nosso político mais eminente, que é Aécio Neves, e também apresentou um governo de extrema competência e mudanças; eu, por exemplo, funcionária do estado, só comecei a receber o meu décimo terceiro salário e meu pagamento em dia  depois que o Aécio foi governador. Nós apoiamos sim o candidato Anastasia, não de uma maneira enfática, porque não pedi voto para Anastasia, mas também não pedi voto para o Hélio Costa. Fiquei numa posição neutra, mas o prefeito, que é do PMDB, e muitos colegas do partido apoiaram o candidato Anastasia.

Blog Vertentes e Política - E quanto à disputa presidencial, apoiou Serra ou Dilma?
Sílvia Fernanda - Eu sou Serra. Votei nele. Não fiz campanha, mas meu voto foi do Serra, porque eu acredito na social democracia e não acredito em guerrilha, em luta armada em invasão de terra. Eu não acredito em economia planificada. Eu não acredito em socialismo. Eu não sou marxista.

Como a senhora analisa a aliança entre o PMDB e o PT em âmbito nacional? Você acha que o PMDB pode cobrar um alto preço pelo seu apoio concedido ao Partido dos Trabalhadores nas Eleições de 2010?
Sílvia Fernanda - Eu tenho uma impressão que a Dilma irá sofrer uma pressão imensa. Aliás, antes de tomar posse, ela já está sofrendo. O PMDB, meu partido, minha legenda, tenho, inclusive, a minha ficha de 1980. Nós fundamos aqui o MDB com o Dr. Milton Viegas, o Dr. Cid Valério, o Breno Lombardi, o ministro Celso Tarso, o Pedro Terra, o Peninha e a Mônica. Nós fundamos numa salinha onde hoje é o Circuito Pneus. O Tancredo tinha partido para uma coligação com o Magalhães Pinto e eles fizeram o PP, Partido Popular. Mas, depois, eles (PP) se uniram ao PMDB. O PMDB é uma frente ampla e dentro de uma frente ampla existem muitas discrepâncias. Há muitas discordâncias e eu acredito que boa parcela do PMDB se transformou naquilo que era o PFL antes. Um partido fisiológico. Eu acredito que é uma mistura de cobra com jacaré, não pode nascer boa coisa daí.

Blog Vertentes e Política - A senhora considera um avanço ter uma primeira mulher na Presidência da República? O que isso significa?
Sílvia Fernanda - Se Dilma fosse uma mulher eleita pelos seus próprios méritos, eu teria um imenso orgulho de dizer que sim, porque quando a mulher chega ao poder pelo seu próprio mérito eu fico encantada. Assim como a Ângela Merkel, como a ex-presidente do Chile (Michele Bachellet). Quanto aos casos como Corazon Aquino, Benazir Bhutto, Roseana Sarney, que vêm de famílias de políticos, não considero que seja mérito delas. Quando há influência da família, do marido, a situação é diferente. Naquele triste caso da mulher do (Joaquim) Roriz, em Brasília, a mulher aparece, tão somente, por causa do homem ou por causa de um clã. Ela está sendo mais manipulada ainda! Eu acredito em mulheres políticas que seguem uma trajetória meritória, própria, como, por exemplo, Dorothea Werneck, que chegou a ser ministra pelos seus próprios méritos. Dilma é um apêndice do Lula, uma criação, uma invenção. Ele aproveitou sua alta popularidade e a galgou. Eu acredito que, para ele, a Dilma seria mais subserviente, mais à vontade dele, mais fiel. Outra pessoa poderia ameaçar o poder ou o desejo de provavelmente voltar daqui a quatro anos.

Blog Vertentes e Política - Há especulações de que o prefeito Nivaldo Andrade poderia se filiar ao PSDB. Realmente existe esta negociação? Caso ele migre para o PSDB, a senhora também o acompanharia?
Sílvia Fernanda - Não, eu não sei de nada disso. Se existe alguma coisa, só o prefeito Nivaldo pode responder.

Blog Vertentes e Política - O secretário municipal de Obras, João Madalena, fez sérias denúncias na mídia regional contra o prefeito Nivaldo de Andrade, chegando a acusá-lo de envolvimento em atos de corrupção. Qual é o posicionamento da senhora e do PMDB em relação a tais denúncias?
Sílvia Fernanda - A primeira coisa que fiz, após as denúncias, foi perguntar à presidente o que iria ser feito. A resposta que eu obtive foi um oficio com o pedido da documentação. Houve uma denúncia de que alguns empenhos que foram assinados pelo prefeito e não por seu secretário. Eu peguei essa denúncia e fiz um requerimento à presidente da Câmara pedindo que o prefeito fosse convocado para dar satisfações. Essas coisas acontecem na administração pública, como, por exemplo, essa discordância entre o secretário e o prefeito. O Secretário é uma pessoa de confiança do prefeito, é de Tiradentes, são amigos de “uma vida inteira”. O João Madalena é um homem muito sério, trabalhador e honesto. Em determinado momento, entrou em choque com os funcionários do barracão (leia-se Secretaria de Obras, localizada num local chamado de barracão) e, no entender das pessoas, não teve muito jeito com os funcionários, acostumados a um tratamento muito tranquilo. E o João Madalena quis impor um ritmo de trabalho ao qual eles não estão habituados. A briga toda não é do João Madalena com o Nivaldo. É do João Madalena com os funcionários da Secretaria de Obras. O João reclamava muito para mim. Ele já estava demissionário há muito tempo. O prefeito Nivaldo tinha pedido a ele para que ficasse mais quatro meses (na Secretaria) porque desde junho que ele já tinha pedido demissão. As obras que ele denunciou são fiscalizadas pelo Setop, um órgão estadual. E a Justiça, que tem o poder de polícia, já está com a ação pública, investigando. Cabe à Câmara acatar o que a Justiça determinar.

Blog Vertentes e Política - Mas o prefeito Nivaldo já esteve na Câmara esclarecendo os fatos. Por que a Câmara se absteve no momento da explicação do prefeito, acerca das acusações do secretário?
Sílvia Fernanda - O prefeito já prestou todos os esclarecimentos. Ele disse que nenhuma obra foi paga sem estar concluída e existe um cronograma de pagamento em todas as obras públicas. As pessoas se enganam muito com o Legislativo. Não existe apenas um vereador. Existe um bloco de vereadores.  Aqui na Câmara, por exemplo, nós não temos o poder de polícia. Poder de polícia é tomar providências contra todas as irregularidades, de maneira efetiva. Depois da Constituição de 88, o poder legislativo no Brasil é refém de uma legislação que cortou todas as prerrogativas.  Por exemplo, nós não temos, sequer, o direito de votar e fazer leis sobre o que demande gastos, nem de um centavo. Nem mesmo instalar um poste de iluminação. Antigamente, as câmaras faziam isso, hoje em dia não. Ao poder legislativo cabe, tão somente, essa fiscalização tão propalada. Fiscaliza-se, descobrem-se irregularidades, como eu já descobri muitas, mas, se não tiver o respaldo de todos, não se consegue mudar a situação.

Blog Vertentes e Política - Como a senhora explica as acusações de que o Executivo Municipal dá plenos poderes de execução ao Legislativo e o Executivo incorpora o papel de legislador? Essa é uma acusação de um radialista local, comprovada em várias publicações de jornais da cidade em que são divulgadas obras realizadas por vereadores.
Sílvia Fernanda - O poder Executivo legisla sim, tem o papel de legislador. Mas ele legisla com aquilo que é da sua alçada. Por exemplo, eu recebi um pedido dos moradores da Praça Embaixador Gastão da Cunha, que não querem mais que a fechem para eventos, porque a praça vive fechada e eles não têm acesso nem às casas deles. Daí, eu fiz uma indicação com um abaixo-assinado e soube agora que o prefeito assinou esse decreto. Eu não posso fazer um projeto de lei sobre isso, pois isso não cabe ao poder Legislativo. A organização da cidade cabe ao poder Executivo. Tem muita coisa que a gente quer fazer e não pode. É da alçada do poder Executivo. O Executivo faz o projeto de lei e remete para o legislativo. A Câmara pode acatar ou delegar. Quando delegado, o poder Executivo tem o direito do veto e depois tem que voltar a essa casa e se não tiver dois terços da Câmara, a gente não divulga o veto. A dinâmica é muito mais complicada, mais complexa do que a primeira vista ‘a Câmara tem uns palhaços que o prefeito faz o que quer’. A Constituição Federal estabelece, mas os três poderes aqui no Brasil são de “levantar Monstesquieu da cova”. A relação é muito perversa.

Blog Vertentes e Política - Mas e as obras realizadas por vereadores?
Sílvia Fernanda - Não existem obras realizadas por vereadores. Elas só acontecem quando os mesmos tiram dinheiro do bolso deles. As obras feitas são obras do poder Executivo! Obras que os vereadores pleiteiam. Eu pleiteio muita coisa. No primeiro mês do meu mandato, eu reivindiquei uma correção de uma água que escorria na (rua) Basílio de Magalhães, que inundava a Avenida Nossa Senhora do Pilar. Essa obra foi atendida porque houve também um clamor do cidadão. Eu não peço uma obra. O que eu tenho a ver com a Avenida Nossa Senhora do Pilar? Mas eu recebi o pedido do cidadão. O vereador funciona como um elo entre o cidadão e o poder Executivo. Consegui algumas coisas com o prefeito para a população, mas são coisas minhas, como, por exemplo, eu tenho uma briga para melhoria dos bueiros da Rua Dr. José Bastos, da Rua Marechal Deodoro e, principalmente, da Rua Resende Costa e Arthur Bernardes que, quando chove, tem várias lojas inundadas. Você já pensou em uma loja de tecido, em dias de chuva? O dono não teria sossego para dormir. Eu estou pedindo e mandando uma indicação para mesa para o prefeito. Até agora não obtive nenhuma resposta.

Blog Vertentes e Política - A senhora tem lutado incessantemente para aprovação e execução do projeto de lei que regulamenta o quadro dos transportes coletivos na cidade. Quais os empecilhos que fazem com que essa discussão não seja levada adiante?
Sílvia Fernanda - Fizeram aqui uma lei, na legislatura passada, um projeto do (vereador) Hélio Saulo que foi aprovada. Essa lei exige que em São João del-Rei tenha, no mínimo, duas empresas de ônibus para explorar o transporte público. Mas não determinaram a partir de quando essa lei iria entrar em vigor. Eu fiz um projeto emendando esta lei para colocar uma data limite, quando que é o vencimento desse contrato. Eu até vou refazer esse projeto, mas infelizmente eu não consegui que isso viesse à pauta das reuniões.

Blog Vertentes e Política - A presença do gerente da empresa Presidente no Legislativo impede a execução do projeto?
Sílvia Fernanda - Eu não sei te dizer. Isso aí eu não sei.

Blog Vertentes e Política - Então quais as razões que você acha que atrapalha o seu projeto?
Sílvia Fernanda - Ué (sic), é falta de vontade da mesa, da Câmara, né? (sic) E a mesa da Câmara é composta pela Jânia Costa, Mauro da Presidente e João Carlos.

Blog Vertentes e Política - Dos sérios problemas enfrentados pela Prefeitura Municipal estão o caso do Damae e do Instituto Municipal de Previdência, ao qual a prefeitura deve um alto valor. Silvia, como a senhora analisa esses problemas e que medidas devem ser tomadas para a sua solução?
Sílvia Fernanda - O povo são-joanense ama a sua cidade. Todos nós que somos são-joanenses amamos a nossa cidade. E o Damae serviu de balcão de negócios, para governos sucessivos, populistas que usaram o mesmo para angariar votos dos mais pobres, dos menos favorecidos. E isso acabou! Na reunião passada, aprovamos o fim da isenção. Todo mundo tem que pagar por aquilo que consome, porque isso é cidadania. Eu detestaria não pagar os impostos devidos ao Estado e usufruir de todos os aparatos que ele me oferece. Isso não é ser cidadão. Vamos criar a caixa social, mas todo mundo tem que pagar, nem que seja um preço simbólico.  O problema do Damae é que o são-joanense não abre mão de seu patrimônio. Eu não abro mão. Houve, no principio do ano passado, uma campanha para colocar a Copasa, mas eu fiz o projeto do plebiscito que, infelizmente, com a assinatura de oito vereadores não foi aceito. Não permitiram, mas eu fiz o projeto. Fui perseguida, mesmo sendo afro descendente, fui chamada de racista, por isso eu adoeci e fiquei seis meses fora, perdi um quarto do meu mandato! Mas não tem problema, eu salvei o Damae, porque antes deles começarem com a campanha difamatória, de perseguição. Eu já havia deixado aqui o meu “projetinho” do plebiscito. Ou fazia o plebiscito ou não podia colocar a Copasa. E foi o que aconteceu. Esperamos agora que, com esse dinheiro que o (deputado federal) Reginaldo Lopes está tentando conseguir, R$ 23 milhões, sirvam para hidrometrar a cidade. O Damae é a garantia do povo são-joanense. É a grande guerra do futuro de São João del-Rei. Ela é uma cidade servida de água de todas as maneiras, os mananciais são maravilhosos e é uma dádiva de Deus, por isso que essa cidade é abençoada. O povo não acredita nisso, porque foi treinado a não acreditar. Todo mundo que chega de fora se apaixona por São João.
Com relação ao IMP, quando o prefeito Rômulo Viegas recorreu instituir essa modalidade de previdência, muitas pessoas lutaram contra, e eu fui uma delas. Mas os funcionários votaram, escolheram e nós saímos do regime geral da previdência social que é o INSS. A solução para o IMP é juntar um dinheiro, pagar o INPS e juntar todo mundo no regime geral.

Blog Vertentes e Política - Em novembro passado, as arquitetas Aline e Cínthia Botelho abriram um processo contra a senhora e a vereadora Vera, em razão de acusações feitas na mídia local sobre as novas instalações da Câmara Municipal. Com base em que foram feitas essas acusações e qual a sua posição sobre o fato?
Sílvia Fernanda - Não foram acusações e sim críticas ao projeto. O projeto já foi abandonado, e eu estava certa. A Câmara Municipal e todos os vereadores entenderam que aquilo foi um erro, um equívoco, um elefante branco, uma “Bat-caverna”, que não serve para nada. Foi feito o plenário em cima de uma mina (d’água), não tem banheiro, não tem iluminação natural, não tem ventilação. A Câmara vai funcionar no prédio do Fórum. Aquilo lá estava tudo errado mesmo. Foi feito não sei com que intenção. O projeto é todo defeituoso. Se quiserem fazer uma visita, eu os levo para ver como foi gasto o dinheiro público com irresponsabilidade. E já foi gasto e vai ficar lá. Vai acabar caindo! As arquitetas não projetaram. Mas elas não foram culpadas. O culpado do projeto é quem o encomendou, quem fez parte da comissão - o vereador Bolão, o vereador Fuzzato e o vereador Adenor Simões. Na época, a gente levantou a hipótese do porquê desse projeto. Por que não fizeram um estudo melhor? Um planejamento melhor? Uma coisa mais verossímil? Não fizeram.

Blog Vertentes e Política - A polêmica sobre suposta declaração racista contra o vereador do PT, Gilberto do Caminhão, levou seu nome, inclusive, às paginas de jornais de circulação nacional, como o Estado de Minas. A senhora não acha que isso possa prejudicá-la em futuras disputas políticas ou mesmo em sua vida pessoal?
Sílvia Fernanda - Já me prejudicou. Eu perdi a minha saúde por causa disso, em nome de São João del- Rei. Eu não tenho pretensão de disputas futuras, porque já dizia quando fazia campanhas que só queria um mandato. Eu queria ver o que eu podia fazer para São João. O meu mandato aqui, reportando ao presidente Kennedy: ‘não pergunte o que o seu país pode fazer por vocês, mas o que você pode fazer pelo seu país’. E eu sou fã do Kennedy. Acho que ele foi um presidente fantástico, jovem, vigoroso, inteligente. Claro que tinha muita mídia, mas sou daqueles tempos em que as pessoas queriam mais servir e não serem servidas pela sociedade. Com relação a isso, eu acho que para o são-joanense que me conhece, ficou muito claro o que estava por trás. Eu não chamei o Gilberto de macaco, isso foi uma inverdade plantada e, como dizem os filósofos, ‘uma mentira, de tanto ser dita, acaba virando verdade’. Mas eu dei aula durante 35 anos em escola pública, lidando com gente branca, negra, cor de rosa, amarela, verde, azul e nunca tive um problema. Por incrível que pareça, os alunos que têm mais carinho comigo são negros. Nunca tive problema com meus alunos. Agora era muito conveniente me desacreditar. De um modo geral, porque o projetinho do plebiscito, da data para a empresa de ônibus já estava tudo aí.

Blog Vertentes e Política - Queríamos saber da participação popular. O que a senhora acha da participação popular de São João del-Rei?
Sílvia Fernanda - No Brasil, existe um problema muito sério que é a educação. No meu blog há um artigo do Cláudio Moricato publicado na Revista Veja, da semana retrasada, chamado ‘A cortina da Burrice’. A nossa educação é falha, o povo não tem noção de cidadania, o povo brasileiro, de modo geral. Ele elege e depois quer só cortar a cabeça: ‘Ah eu te elegi, agora vou te malhar!’. E não é bem assim que funciona. Gostaria muito que as pessoas acompanhassem as reuniões da Câmara. Lutei durante esses dois anos para que houvesse a transmissão de rádio e infelizmente não consegui, porque não é interesse de todo mundo que o poder seja transparente. O poder colegiado, ao mesmo tempo em que é democrático, é ditador porque se não se consegue a maioria, não se consegue efetivar as suas ideias e desenvolver as suas ações.


Pe. João Carlos, eleito deputado federal pelo PT, diz estar entusiasmado com a vitória de Dilma Rousseff, mas não responde à questão sobre a lei contra a homofobia

Ana Pessoa e Ayalla Simone

João Carlos Siqueira é mais conhecido como Padre João, começou sua militância no PT de Ouro Branco, tendo sido presidente do diretório por dois mandatos consecutivos. Em 2000, foi eleito vereador e, dois anos depois, foi eleito deputado estadual, indicado por lideranças cristãs e pelo “Movimento Fé e Política”. Em 2006, foi reeleito para o segundo mandato na Assembleia Mineira e em 2010 consagrou a vitória para o cargo de deputado federal com 111.651 mil votos.
Em entrevista por e-mail concedida ao Blog Vertentes e Política, o deputado estadual e candidato eleito a deputado federal faz críticas ao ex-governador Aécio Neves. Como bom petista, mostrou-se entusiasmado com a vitória de Dilma Rousseff para a Presidência da República. Questionado sobre questões polêmicas como a lei que criminaliza a homofobia, o deputado não fez comentários. Conforme afirma a assessora de imprensa do Pe. João Carlos, Mariana Starling, a questão não respondida sobre a homofobia, “foi apenas um relapso meu e dele quanto ao conteúdo inteiro da pergunta”, afirmou.

Blog Vertentes e Política - Qual foi a postura do senhor como deputado estadual? Fez oposição ao Aécio?
Pe. João Carlos - Na Assembleia Legislativa, tenho atuação firme, pautada sempre na busca pela justiça social e pela igualitária distribuição de renda. Com base nas decisões tomadas de maneira coletiva — com todos (as) os (as) apoiadores e apoiadoras — meu Mandato se destaca em ações em prol da Agricultura Familiar e de todos (as) os produtores (as) rurais; pela incessante defesa do direito à terra e à habitação e pela abertura de espaços para os movimentos sociais e sindicais. Sem deixar de lembrar, é claro, a defesa dos direitos das mulheres, dos trabalhadores (as), inclusive dos funcionários públicos, do acesso à educação e à cultura, da igualdade racial e as lutas para que Minas se desenvolva de maneira sustentável e para que os jovens tenham ativa participação nas decisões políticas.

Nosso mandato sempre fez uma oposição responsável àquilo que consideramos inapropriado para o povo mineiro, cobrando que sejam realizados investimentos nas áreas da saúde e social. Em julho de 2009, fui indicado para a liderança do então bloco oposicionista, formado por PT, PMDB e PCdoB. Com a dissolução do mesmo este ano,continuei na liderança da bancada do PT nesta Casa legislativa.

Blog Vertentes e Política - Como o senhor vê resultado da eleição para o PT no Brasil e em Minas?
Pe. João Carlos - A eleição da Dilma tem um simbolismo muito grande para o Brasil e para o PT. Importantíssima é a questão de gênero. Não tenho dúvida de que a Dilma surpreenderá a elite brasileira, elite que usou todas as armas, legítimas e ilegítimas, e muitas injustas, tentando disfarçar o preconceito contra a mulher, explorando a moral, a ética, explorando uma riqueza do povo brasileiro que é a religiosidade, mas uma religiosidade ainda muito popular. Muitas vezes as pessoas não têm como perceber o que está por detrás do jogo, o que está nos bastidores da imprensa. Nesse aspecto, demos um grande passo, houve um grande avanço.
Em Minas, a derrota, infelizmente, foi de todo o estado. Acreditamos na implantação de uma política de desenvolvimento para o estado alinhada com o governo federal. Hélio e Patrus representavam os nossos anseios. Todavia, tivemos muitas dificuldades desde a pré-campanha, quando os partidos da base aliada do governo Lula, em Minas, indicavam três candidaturas, inclusive duas dentro do próprio PT. Nos submetemos às prévias internas e outros desgastes e, é claro que, por mais que se afinem as ideias, sempre ficam algumas ranhuras. Depois, enfrentamos a máquina do governo e, talvez, sem uma avaliação mais profunda e compartilhada, mas em uma ótica unilateral, talvez tenhamos nos equivocado na elaboração de estratégias e táticas eleitorais.

Blog Vertentes e Política - O que o senhor espera do governo da Dilma?
Pe. João Carlos - Não tenho dúvida de que a Dilma surpreenderá positivamente a elite brasileira com sua habilidade política, sua competência, seu jogo de cintura, tudo o que tentaram desconstruir.  Esse é mais um grande marco na história do Brasil, um impulso para avançar nas políticas sociais e macroeconômicas e nas reformas indispensáveis, como a tributária e a política. Nosso modelo de eleição está insuportável, a legislação atual é falha, pois “cerca o mosquito e deixa passar o elefante”. Temos de fazer uma reforma política que garanta justiça e que as lideranças autênticas, que querem trabalhar para a sociedade e ajudar na democracia, cheguem ao poder, que não prevaleça a questão econômica.

Blog Vertentes e Política - Como o senhor explica o poder político de Aécio Neves? Acredita que ele tenha um bom “jogo de cintura” na política ou seriam outros fatores?
Pe. João Carlos - Dificil explicar isso. Ele exerce um fascínio sobre as pessoas e mantém a fama de bom moço. Um político esperto, que explora bem as raízes dos antepassados e misturando-se com a fachada de estadista,

Blog Vertentes e Política - Em sua opinião, Aécio Neves usa meios antiéticos como a censura à imprensa e a cooptação de prefeitos para eleger sucessor?
Pe. João Carlos - O governo trabalhou com um núcleo duro. Arranjou uma blindagem e ficou inatingível. Governou editando 130 leis delegadas. Um recorde na história política do Brasil e de Minas. Manteve uma base forte na Assembleia e a imprensa acuada. Editou um pacto com a elite mineira. Com isto, não foi difícil governar e muito menos fazer o sucessor.

Blog Vertentes e Política - Quais as suas prioridades e do PT para o mandato?
Pe. João Carlos - Integro no PT uma corrente denominada “Movimento Coerência Petista”. O movimento é uma alternativa de direção partidária, visando a construção da unidade petista pra avançar ainda mais as conquistas sociais do Governo Lula e, agora, as que vierem de Dilma, em Minas Gerais e no Brasil. Além disso, o movimento visa contribuir para a continuidade do projeto nacional, de natureza democrática e popular. O movimento tem uma determinação clara e objetiva: construir para Minas Gerais um projeto alternativo e de oposição ao neoliberalismo, trata-se de um grupo de militantes de diversas correntes e independentes que tem objetivo de construir para Minas Gerais um projeto alternativo e de oposição ao neoliberalismo, pautado na abertura de diálogo com os movimentos sociais. Discordamos do choque de gestão e da minimização do Estado. Para o PT, é necessário que se faça o seu resgate pela raiz, com a participação dos militantes, das bases. Temos que manter a história duramente construída pelos trabalhadores. Precisamos resgatar a nossa capacidade partidária. Só chegamos à Presidência da República com luta e temos que ficar atentos.
Nosso mandato continuará do mesmo modo quanto à estrutura, que prima pela coletividade e participação, baseado em alguns eixos temáticos e divisão em doze regionais de atuação no Estado (Regional Alto Paraopeba/Inconfidentes, Mantiqueira, Zona da Mata, Vale do Piranga, Leste, Vale do Aço/Rio Doce, Médio Piracicaba, Alto Rio Grande/Sul, Norte – eixos Januária e Montes Claros/Janaúba, Noroeste/Triângulo e Grande BH).
Em cada um deles, foram definidas prioridades para o primeiro ano na Câmara Federal na nossa recente Assembléia Geral do Mandato, realizada no último final de semana (de 19 a 21 de novembro), em Mateus Leme. São elas: (1) direito à terra e à habitação urbana e rural; (2) agricultura familiar e desenvolvimento sustentável; (3) educação e cultura; (4) gênero mulher; (5) igualdade racial; (6) juventude.

Blog Vertentes e Política - Como padre, como o senhor vê engajamento das igrejas, principalmente a Católica, na eleição? E o fundamentalismo religioso?
Pe. João Carlos - Esta eleição teve uma atuação forte e mais explícita de setores da Igreja Católica, sobretudo nas eleições presidenciais. O que ficou mais em evidência foi o apoio destes ao candidato da direita. Por outro lado, houve também reação e manifestação de apoio de setores católicos à presidente eleita. Lamentável é o radicalismo religioso, fundamentalista, que não contribui para aprimorar o processo democrático. Entendo que a fé sem obras é morta e que a politica é uma das formas de exercer a caridade. Não no sentido paternalista, mas no da promoção e emancipação do ser humano.

Blog Vertentes e Política - Qual a posição do senhor sobre o aborto e a lei que criminaliza a homofobia?
Pe. João Carlos - É importante ressaltar que a fase embrionária é apenas a primeira fase de toda a criação da vida. Reina, atualmente, um debate hipócrita que restringe toda uma vida à sua etapa inicial. A coerência evangélica nos leva a defender a vida em todas as suas fases. É verdade que, em algumas, a vida merece maior atenção. Mas a dedicação não deve se restringir à gestação: deve se estender ao recém-nascido, à criança, ao adolescente, aos jovens, aos deficientes, ao idoso. Um projeto de nação pensa e age em favor da vida em todas as fases.

Vera do Polivante fala sobre a abertura de CPI contra o prefeito Nivaldo e faz um diagnóstico do PT são-joanense

Bruno Ribeiro e Marcelo Alves

Em seu gabinete, a vereadora Vera Lúcia Gomes de Almeida – Vera do Polivante (PT) - recebeu a equipe do Blog Vertentes e Política para falar a respeito do pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) para apurar as falas do então secretário de Obras, João Madalena, sobre improbidade administrativa. Ela comentou, também, a situação da gestão pública, da oposição e do clientelismo no município.
A vereadora tratou ainda dos seus principais projetos e das divergências existentes entre ela e o outro vereador petista Gilberto Luís dos Santos. “Bom, eu não tenho nada particularmente contra o vereador Gilberto, mas eu acho que ele não segue as deliberações do partido. Nós deveríamos estar juntos, na mesma bancada, e às vezes fica desagradável. Eu voto a favor de um projeto e ele vota contra, e vice-versa”, afirmou.
 Vera do Polivante avaliou como é a sua posição em se colocar como a única vereadora que tem mantido uma oposição mais sistemática ao prefeito Nivaldo Andrade (PMDB). “Eu creio que estou fazendo uma oposição praticamente sozinha, porque todo mundo sabe – e isso não é falta de ética da minha parte colocar isso – já tive oportunidade de falar isso com os vereadores de perto, que visivelmente eles querem estar do lado do prefeito, exatamente por causa das obras que eles ganham, das indicações”, alfinetou.

Blog Vertentes e Política - Para iniciar, gostaríamos de saber um pouco sobre sua caminhada política antes de se eleger vereadora e sobre sua atuação em movimentos sociais.
Vera do Polivante - Antes de chegar à vereança, eu já atuava em grupos de jovens. Na época em que eu estudava faculdade, eu pertencia a um grupo que se chamava Jovens para Amar. A gente ajudava nas comunidades carentes, fazia festivais de música e ajudava nas discussões com a população. Trabalhava, então, junto aos trabalhos assistenciais e aos Salesianos na comunidade São Dimas, com projetos voltados aos mais carentes. Participava muito de festivais de música, movimentos populares e sindicais, e trabalho em educação, pois sempre fui professora e fui vice-diretora por dois mandatos e depois fui diretora por mais dois mandatos em uma escola de periferia, que tinha muitos problemas. Aí eu comecei a ter contato bem maior com a comunidade.

Blog Vertentes e Política - Já havia participado de alguma eleição, antes de 2008? Qual?
Vera do Polivante - Não. Somente eleição para direção de escola. Apesar de que nós chegamos a bater chapa dentro do próprio partido também. Uma vez, nós lançamos uma chapa sindical. Eu estava em uma chapa sindical e numa chapa dentro do próprio partido.

Blog Vertentes e Política-  Quando você se filiou ao PT?
Vera do Polivante - Ah, tem muitos anos! Já até perdi a conta. Eu sou uma das iniciantes. Muitos anos, quando o PT ainda comprava seu bóton, vendia e comprava bandeira.

Blog Vertentes e Política - Como foi sua campanha em 2008, quais as promessas, base de apoio, quantidade de votos recebidos e de quais setores da sociedade eles vieram?
Vera do Polivante - A minha campanha de 2008 foi uma campanha de primeira vez. Eu não tinha muita noção de como se fazia uma campanha. Sem dinheiro e sem apoio. Eu e a minha assessora íamos organizando as cartas, andando... Não tive apoio nenhum de entidade, de empresário, de nada. Eu tive 947 votos, que eu achei muito, por ser a primeira vez e não ter alguém coordenando minha campanha. E os setores da sociedade que vieram [os votos], que eu acho, que me elegeram, foram os professores, alunos, a comunidade que eu trabalhei no Matozinhos, através do colégio. Os evangélicos também, da Igreja, pois eu sou evangélica.

Blog Vertentes e Política - Quais são seus projetos mais importantes, eles foram à votação? Qual a recepção dos outros vereadores?
Vera do Polivante - Eu tenho apresentado muitos projetos bons, mas muitos ficam... Eles derrubam, jogam, não aprovam, por causa de interesses deles mesmos e da própria administração. O projeto que eu entrei, já tenho divulgado através do meu blog, através do meu informativo, foi o da Câmara itinerante, que eu acho um projeto de plena importância, porque é o contato direto que você tem com as comunidades. Esse não passou. Muitos vereadores alegaram que é difícil ir às comunidades, que indo lá eles poderiam pedir...

Blog Vertentes e Política -  Tentando analisar o público alvo dos seus projetos, qual seria, os professores, as mulheres?
Vera do Polivante - Olha, eu direciono meus projetos para toda a comunidade. Eu tenho me pautado muito também em projetos com relação ao meio ambiente, que eu acho que é muito depredado, e ainda educacionais.

Blog Vertentes e Política - À época da votação do Projeto de Transparência no funcionalismo público foi cheia de reviravoltas. A apreciação do documento foi tensa e teve mudanças de posição. Qual sua avaliação sobre o projeto? Quais suas considerações acerca dos fatos acontecidos?
Vera do Polivante - É como eu falei. O projeto da transparência é um que realmente iria dar transparência à administração. No momento em que você coloca público, que mostra a todos quais são os servidores, se foram concursados ou não, já é um grande avanço para a democracia, porque é direito de todos fazer o concurso. E na realidade, não aconteceu isso por que muitos ali eram indicados pelos próprios vereadores, ou pelos “amigos do rei”. E a gente sabe que a máquina está inchada exatamente por essas pessoas que entraram através desse sistema, pela “janela”, favoritismo. Então, não interessa para eles um concurso bem feito, bem elaborado, para as pessoas entrarem pela competência. Eu tenho certeza de que se as pessoas que estiverem na máquina, fazendo uso da máquina, trabalhando, fossem pessoas capacitadas, pessoas bem intencionadas, a administração estaria outra.

Blog Vertentes e Política -  Tem algum outro projeto seu que foi barrado?
Vera do Polivante - É, o da transparência... Eu tenho muitos projetos que foram barrados em relação ao trânsito. Eles derrotaram aquele meu projeto que estabelecia a distância entre os pontos de ônibus. Eu coloquei emenda, eles derrubaram a emenda. Tem um meu lá que está agarrado até hoje com relação ao trânsito que é sobre a afixação de cartazes com os horários de saída de ônibus.

Blog Vertentes e Política - Na sua visão, como o PT está estruturado em São João del-Rei? E a oposição?
Vera do Polivante - Bom, o PT, esses tempos atrás, estava preocupado, logo depois da eleição, com as pessoas que perderam a eleição se ajeitando, arrumando outros empregos... Já passou da hora do pessoal sentar, como eles estão tentando, se organizar, porque vem aí as próximas eleições municipais, daqui a dois anos. Temos que pensar em um nome que vai sair para a Prefeitura. Pensar os possíveis vereadores. Fazer uma seleção boa para não acontecer o que tem acontecido, as pessoas chegam na última hora, vão se filiando.  Gente que acaba filiando pessoas que não tem nada a ver com o partido e a ideologia, somente para usar a sigla para se eleger.

Blog Vertentes e Política -  E a oposição? Pode se dizer que a senhora é a única vereadora de oposição ao prefeito?
Vera do Polivante - Eu creio que estou fazendo uma oposição praticamente sozinha, porque todo mundo sabe – e isso não é falta de ética da minha parte colocar isso – já tive oportunidade de falar isso com os vereadores de perto, que visivelmente eles querem estar do lado do prefeito, exatamente por causa das obras que eles ganham, das indicações. E eu acho que não precisa disso. Acho que o seu papel de vereador é fazer indicação das obras, que é prerrogativa nossa, mas também não tem que ficar atrelado ao prefeito por causa de obra, de cumprimento de suas indicações. O que você não achar certo, você tem toda obrigação de votar contra.

Blog Vertentes e Política - Qual a sua avaliação sobre a administração do Executivo municipal?
Vera do Polivante - A avaliação é que está muito a desejar. Primeiro eu acho que está a desejar por que o senhor prefeito não tem um diálogo constante com os vereadores e nem tampouco com seus pares ou com seu secretariado, haja visto essa última entrevista do João Madalena [o então secretário de Obras fez severas criticas à Prefeitura, a respeito de obras sem empenho, funcionários fantasmas, corrupção].  Nós vimos que o próprio João Madalena coloca que é difícil falar com o prefeito. E eu percebi isso também na ocasião lá do PPA, como está desvinculada uma Secretaria da outra. Uma não sabe o que a outra está fazendo.

Blog Vertentes e Política - Como é o seu relacionamento com seu companheiro de partido e de plenária, vereador, Gilberto Luis dos Santos (PT)?
Vera do Polivante - Bom, eu não tenho nada particularmente contra o vereador Gilberto, mas eu acho que ele não segue as deliberações do partido. Nós deveríamos estar juntos, na mesma bancada, e às vezes fica desagradável. Eu voto a favor de um projeto e ele vota contra, e vice-versa. Então está faltando essa unidade para realmente o partido mostrar que está coeso. Isso aí são as palavras de todo mundo, e não estou falando isso... Não quero atingir um colega, mas ainda tem tempo de ele rever essa postura dele e fazer um trabalho coletivo. Acho que o nosso mandato é justamente com o partido e com a população. Nós não temos um mandato próprio

Blog Vertentes e PolíticaEle foi contra projetos importantes de sua autoria, a senhora considera que ele vem destoando dos programas do PT? Ou, mesmo, que ele tenha se aproximado da situação?
Vera do Polivante - Exatamente é o que eu disse. Ele está destoando sim das propostas do partido. A gente não faz oposição por fazer. O que o prefeito e a administração fazem de bom, a gente tem que apoiar. Mas, normalmente, a administração não tem provado isso. Então eu acho que a gente tem que realmente fazer uma oposição, até por que a unanimidade é burra. Eu acho que tem que ter oposição sim, em todos os setores, em todos os lugares, porque nós lidamos com pessoas diferentes, de concepções diferentes, então ninguém pensa como ninguém. Mas se não houver realmente uma cobrança, não tem como administrar.

Blog Vertentes e Política - A senhora pede favores ao prefeito? Qual sua posição acerca dessa prática tão comum entre os vereadores?
Vera do Polivante – De forma nenhuma. Tudo que eu me dirijo ao prefeito é através de indicações da própria Câmara. Inclusive, eu sempre fico com uma cópia aqui no gabinete, porque depois essa cópia eu mando para as pessoas que me fizeram aquele pedido. Para mostrar que eu me interessei, que é meu papel, e eles teriam que cumprir. E muitas vezes eu descobri que eles nem lá chegam. Não chega na secretaria de obras, não chega na secretaria do meio ambiente... Parece que eles engavetam, e não querem cumprir para não dar visibilidade ao vereador, porque já tem uma prática combinada entre o prefeito e a maioria dos vereadores que é assim: ‘você me ajuda nisso aqui, que depois eu faço aquela obra’. Isso é mentiroso! Eu já denunciei isso lá na tribuna. Isso é mentiroso! Não existe isso! Vereador nenhum faz ponte. Vereador nenhum faz posto de saúde ou jardim. A gente indica. Nós indicamos, quem executa é o prefeito. Então essa coisa tem que sair do vereador. Vereador tem que deixar isso de lado. Ele está enganando a si mesmo. Aliás, o meu trabalho vai ser pautado nessa vereança em cima disso, de mostrar à população que o papel do vereador realmente é fazer a fiscalização do senhor prefeito. É legislando.

Blog Vertentes e Política - No final de 2009, foram aprovados diversos projetos de isenção fiscal. A senhora foi acusada pelos vereadores de ser contra os pobres. Qual seu posicionamento a respeito dos projetos e das declarações feitas?
Vera do Polivante - Realmente, eles me acusaram... eu cheguei até a brincar e falar assim ‘quer dizer os senhores todos vão para o céu e eu vou pro inferno’. Mas é uma prática deles equivocada exatamente de isentar. Não é assim. Por isso mesmo tem um levantamento dentro da assistência social de realmente quem é carente, uma coisa organizada, uma coisa séria. Eu sou a favor, sim, que a pessoa que necessita ter todo o amparo, como tem. No governo federal existe isso, a bolsa família. Mas o vereador tem que estar preocupado não é ficar isentando. É gerar, é aprovar projeto, que gere emprego, gere renda em São João del-Rei. Ensinar o povo a buscar, através das suas competências e habilidades, o que é melhor para si. É trabalhar... Não é isentando, até por que isso é bíblico. Lá na bíblia fala ‘comerás com o suor do teu rosto’, a não ser que seja uma criança que está impossibilitada de trabalhar pelo próprio estatuto ou o idoso também.

Blog Vertentes e Política - Qual sua visão no que se refere à organização dos movimentos sociais na cidade? Há cooptação pelo poder público?
Vera do Polivante - Olha, uma coisa séria que eu vejo nisso aí é a falta de funcionamento dos conselhos. Normalmente se infiltram com pessoas da própria administração nesses conselhos para segurar, para amarrar, para não ver, realmente, funcionando. Os movimentos sociais deveriam ser mais atuantes. A gente observa que há muitas pessoas bem intencionadas, muitos pequenos ali trabalhando isoladamente. E nós estamos em uma expectativa de até juntar essas pessoas pertencentes a cada movimento desses em um movimento maior, exatamente para fazer uma frente aos problemas da cidade, combater as coisas que estão erradas e ver a coisa funcionar, porque não funciona. E muitas vezes, o que eu observo nas associações de bairro, muitas pessoas querem, e nos procuram aqui, eles querem formar uma associação para captação de verba. Mas na realidade não funciona. Captam a verba e aí? Como que você vai empregar essa verba? Às vezes não tem uma prestação de conta, ou então some a diretoria depois de formada e não atuam como deviam atuar. Ou então, depois que é eleito o presidente, daqui a pouco, na época da eleição, sai todo mundo candidato a vereador. Isso é notório mesmo! Sai tudo candidato por que usou aquele aparato de uma associação, de um movimento, para se eleger.

Blog Vertentes e Política - Você costuma ouvir a comunidade, os movimentos sociais na hora de propor projetos?
Vera do Polivante - Normalmente, eu tenho catalogado aqui, mas é difícil a gente estar atualizando. A Bete, minha assessora, ligou para várias associações, pedindo sugestões. Ontem mesmo eu passei vários e-mails pedindo para ser encaminhada a lista para as emendas parlamentares do ano que vem captar essa verba. Eu estou vendo aí várias igrejas, com esse problema da droga crescente em São João del-Rei, do crack,  a necessidade de se fazer casas de recuperação. Isso está muito característico das igrejas evangélicas, lá no Tijuco, a Portas Abertas, querendo captar verba para isso. Inclusive lá no bairro Tijuco o pastor Sílvio está montando no Elvas uma casa de recuperação. Foi uma empresária de Tiradentes que ajudou a construir. Mas agora na manutenção fica difícil. Eles estão, no dia-a-dia, com o pires na mão. Pede aqui em um supermercado, pede no outro, pede ali no mercado... Eu falei que isso não tem condição. Eles estão lá com 25 pessoas recuperando de drogas e vivem assim nessa incerteza da comida, de material de limpeza e tudo mais. Então, precisaria de uma verba realmente fixa, mensal para poder manter essa casa de recuperação. O governo por si só não dá conta disso tudo, então a sociedade civil organizada é que tem de ajudar nisso aí, eu até concordo

Blog Vertentes e Política - Vereadora, a senhora faz frequentes reclamações sobre a demora para que projetos cheguem aos vereadores.  O que acontece para que isso ocorra? Os vereadores votam projetos sem ler?
Vera do Polivante - O atraso do projeto já começa ali dentro da parte burocrática da Câmara. Realmente, nós, aqui, somos muito organizados, nós entramos com os projetos. A minha assessora tem ali um controle do projeto. Chega lá na Câmara, eu não sei o que eles fazem, eu acho que falta uma organização interna. Já falei isso com os advogados e já falei até com a presidente do Legislativo.

Blog Vertentes e Política - Como é a atuação das comissões que participa? Os vereadores se comprometem com o assunto?
Vera do Polivante - Umas das minhas brigas lá é que as comissões não funcionam. É para inglês ver; é só no papel. Eu já pedi várias vezes às pessoas da minha comissão pra gente reunir, mas ninguém pode. Uma não pode em um horário, outra não pode à tarde, um trabalha, outro não pode. Então nunca, na realidade, as comissões discutem os projetos. Você já recebe o parecer pronto ali do assessor jurídico, então você não discute o projeto. Você vê que muitos projetos, às vezes, entram em polêmica no plenário por causa disso, por falta de uma prévia discussão.

Blog Vertentes e Política - E as comissões de fiscalização e as comissões que foram montadas para ir à rua ver imóveis... Há essa atividade?
Vera do Polivante - Não tem assim. Por exemplo, eu estou em uma comissão juntamente com as vereadoras Silvia e Rosina, de fiscalização das casas populares. Um dia, só, que eu saí com elas, mas não chegamos a fiscalizar, porque não dava tempo, muito corrido... Elas não podem um horário, eu não posso outro, então eu estou fazendo a minha fiscalização sozinha e elas devem estar fazendo da parte delas das casas populares. Quando eu suspeito de alguma coisa, eu vou sozinha e com certeza elas fazem assim também.
Então, na realidade, essas comissões não funcionam. Eu pedi a abertura de CPI para investigação das falas do Madalena. Não ficou claro a posição dele sobre muitas das questões ali. Fiz o ofício, me pautei na legislação, levei lá e ninguém quis assinar... A presidente da Câmara falou que já estava requerendo a documentação e que dentro de 30 dias estaria pronta. Bom, dentro de 30 dias é um prazo moroso, distante do assunto, que está agora pegando fogo. Com certeza já estaremos até de férias, e depois o papel aceita tudo. No papel, muitas vezes, a coisa pode vir de outra maneira, maquiado. Mas, na realidade, o que ele falou, o pano de fundo ali é o desperdício da verba... ficou claro para todo mundo, da verba pública e tudo mais. Mal uso da máquina, etc. Então, ninguém quer saber de fazer CPI e ninguém quer botar a cara a tapa!

Blog Vertentes e Política - Recentemente, a senhora pediu abertura de CPI para investigação das falas do ex-secretário de Obras, João Madalena. O ofício foi engavetado, sobre explicações de que não há documentos suficientes para a abertura de investigação. Em sua opinião, a Câmara peca na fiscalização dos atos do poder público? Isso acontece por causa da troca de favores entre prefeito e alguns vereadores?
Vera do Polivante - Bom, dá a entender. Se querem engavetar uma CPI e não querem fazer como manda o figurino, como deve ser feito, é por que tem algum conchavo, alguma coisa escondida por trás disso. Porque quando a coisa é pública, por que não averiguar? Não tenho nada a temer. O senhor prefeito diz está tudo às claras, está tudo certinho. Então, por que não averiguar? Claro que tem alguma coisa errada! E eu acho que, no momento em que o braço direito do prefeito, que era o secretário de Obras, faz essas denúncias... Porque se fosse um ente da esquerda podia falar que a oposição está fazendo para derrubar.

Blog Vertentes e Política - Quando você propôs a CPI houve rumores de que seria uma ação já para preparar uma deterioração da imagem do prefeito para as próximas eleições, que isso seria muito mais um jogo político do que interesse seu. Esses rumoresprocedem?
Vera do Polivante - Não, de forma nenhuma. O que eles estão alegando é isso. Colegas falam ‘ah, ela quer aparecer. A CPI não iria pra frente para ter ganho político’. Não é nada disso! Qualquer pessoa de bom senso que escutasse, que o Madalena disse, que ouviu uma declaração daquela ficaria estarrecido de ver a quantas anda a desorganização municipal. A ponto de o próprio secretário falar que não acha o prefeito, que não está por conta dele, como ele falou ‘Não estou por sua conta não, prefeito’, de ver funcionários não obedecendo isso. Isso aí é improbidade administrativa! Um desperdício de mão de obra. Não precisa ser vereador para querer apurar isso!
Então não é para minar, de jeito nenhum, não é para minar o prefeito, não é pensando nas eleições... Nada disso! Eu fiz em nome de uma prerrogativa que eu tenho de apurar as denúncias. Agora se você faz, o pessoal acha ruim e fala que isso é oportunismo, se você não faz “metem o pau”, dizem: ‘cadê os vereadores?’. Estou com a consciência tranqüila e não quero nem saber o que estão pensando a respeito disso. A minha vontade na hora realmente foi fazer a CPI, como eu fiz, dei minha cara a tapa e está lá! Se arquivaram, o problema é deles! Então vamos ver agora o que vai dar esses documentos que vão ser levados para a Câmara.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Antônio Carlos Arantes eleito pelo PSC para a Assembleia de Minas Gerais defende os partidos nanicos e declara apoio ao governador Anastasia

Ingrid Andrade, Natália Giarola e Wanderson Nascimento

Antônio Carlos Arantes, de Jacui, que fica no sul de Minas Gerais, foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Cristão (PSC), considerado um partido nanico, com uma votação de mais de 74 mil votos. Defensor das siglas nanicas, Arantes, em entrevista ao Blog Vertentes e Política, declara o seu apoio incondicional ao governador eleito Antônio Anastasia. Ele analisa as eleições 2010 e posiciona-se criticamente em relação a temas polêmicos, como aborto e união civil entre homossexuais. Como representante da ala cristã, defende a presença da religião na política, mas não da forma excessiva como ocorreu no último pleito.
Arantes tem 50 anos, é casado, tem dois filhos e é produtor rural. Foi presidente do Clube dos Jovens 4S - EMATER (1977-1983), presidente da Associação dos Produtores Rurais do Mato Dentro, de Jacuí (1983-1988), membro do Conselho de Administração da Cooparaíso, coordenador dos Programas Regionais e Renovação da Cafeicultura em 17 municípios e Implantação da Fruticultura na região, pela Cooparaíso (1993-1994), fundador e Presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Sudoeste Mineiro (Adebras), Presidente do Consórcio Intermunicipal de Preservação das Bacias dos Rios São João e Santana em sete municípios, prefeito de Jacui por três mandatos (1989-1992; 1997-2000; 2001-2002). Foi ainda diretor Geral da Prefeitura de São Sebastião do Paraíso na gestão Marilda Melles (2002-2004), assessor do deputado federal e ex-ministro Carlos Melles, assessor do governador Aécio Neves, deputado Estadual (suplente) com mais de 40 mil votos e deputado estadual eleito em 2006 com quase 50 mil votos.
Nas eleições de 2010, ocorrida em 3 de outubro, Antônio Carlos se reelegeu com 74.542 votos. O político foi majoritário em 24 cidades das 67 trabalhadas com ênfase.
Arantes considera que o seu trabalho foi aprovado pelos eleitores em função da boa votação que recebeu, por isso terá mais responsabilidade nestes próximos quatro anos. “Sem dúvida, renovaremos a nossa energia para servir o coletivo e ter mais gente apoiando as nossas ações nos obriga a ficar mais atento com as demandas, estou confiante em Deus e na força conjunta de nossos parceiros políticos, creio que mais pessoas poderão se beneficiar pelo nosso trabalho”, concluiu.
O deputado ainda lembrou que terá dois grandes companheiros em seu mandato novamente. “A parceria do deputado federal e amigo Carlos Melles tem sido fundamental em várias ações para a nossa região e poderemos mais uma vez trabalhar juntos pela região e temos a continuação de um governo consolidado e diferenciado que começou com Aécio Neves e que agora permanece com o governador Anastasia”.

Blog Vertentes e Política - Qual sua avaliação sobre reconfiguração política após as eleições de 2010, tanto no que se refere à estrutura da Assembleia Legislativa, quanto à do Governo Estadual, do Senado e do Governo Federal?
Arantes - O governo de Aécio Neves deixou uma herança de muitas obras, projetos e desenvolvimento socioeconômico e o resultado disto foi a continuidade de Anastasia. Na esfera federal, apoiamos o ex-governador José Serra. Esperamos que a presidente Dilma Rousseff faça jus aos votos da maioria e que dê uma política mais justa principalmente para o produtor rural.

Blog Vertentes e Política - Nas eleições de 2010, houve um aumento expressivo de seus eleitores (de 47.485 votos em 2006 para 74.542). A que se deve essa melhora de desempenho? Qual a parcela de responsabilidade de uma assessoria de marketing por esse desempenho?
Arantes - Bom, tivemos a oportunidade de mostrar trabalho por meio de nosso mandato e ampliamos com isto as nossas parcerias políticas. Temos uma assessoria de comunicação que publiciza sempre as nossas principais ações de interesse público e durante a campanha, tivemos uma equipe que cuidou da parte visual de nossas peças publicitárias, fizemos jornais informativos personalizados para cada município para mostrar os benefícios que levamos durante o mandato e tivemos a instrução de profissionais de marketing para atuar com estratégia. Acho que se você tem a capacidade de trabalhar, precisa também ter a mesma competência na hora de mostrar suas ações as pessoas, à opinião pública.

Blog Vertentes e Política - O senhor acredita que o eleitor faz uma avaliação mais personalista na hora de votar, ou ainda leva muito em consideração a expressividade do partido do candidato?
Arantes - O partido no Brasil perdeu um pouco de referência com o passar dos anos. A ideologia de algumas legendas se encontra comprometida ou fragmentada. Muitas vezes o correligionário é o primeiro a contribuir com esta quebra de paradigma partidária. Acho que as pessoas não votaram no PT na presidência, votaram na Dilma, representação da continuidade do Lula. Acho que o mineiro votou com mais força em Anastasia, por causa também do Aécio e não do PSDB.

Blog Vertentes e Política - Discute-se uma reforma política no país em que algumas lideranças defendem o fim e "limitação" dos partidos nanicos. Por que a opção do deputado em se filiar a um partido enquadrado como nanico e qual a posição sobre a proposta de extinção de tais legendas?
Arantes - Tudo que é em exagero não contribui muito para um aperfeiçoamento. Acho que uma reforma política com menos partidos poderia trazer em grande parte mais benefícios. O PSC é um partido ao qual tenho uma ligação forte por pregar uma sociedade mais igualitária e por ter uma linha cristã.

Blog Vertentes e Política - Qual o papel principal dos partidos menores na formação das coligações?
Arantes - As coligações precisam vir com acordos políticos que sejam focados pela coesão de pensamentos e nomes políticos, o papel importante está aí.

Blog Vertentes e Política - Qual a linha político-ideológica do PSC? A legenda apoiou a candidatura de Anastasia, mas na instância federal, apoiou Dilma?  Como o senhor avalia essa discrepância ideológica?
Como lhe disse, os partidos muitas vezes, em função de atores políticos, acabam saindo de uma linha partidária mais coerente. Apoiamos o Anastasia, contudo, muitos componentes do PSC não abraçaram a candidatura de Dilma, mas também não fizeram nenhum ato para contrariar o pedido da legenda de apoiar o PT em esfera federal.

Blog Vertentes e Política - Como é um partido cristão, como avalia as polêmicas sobre o aborto, a união civil entre homossexuais?
Arantes - Somos contra o aborto e contra a união civil dos homossexuais e temos nossas ações baseadas na cristandade.

Blog Vertentes e Política - Na eleição de 2010, as diferentes igrejas tanto se posicionaram como foram utilizadas pelos candidatos, o senhor acha correto que as religiões interfiram na política e entrem em disputas eleitorais?
Arantes - Uma coisa é a pessoa ser cristã, ter atitudes fraternas que mostrem a sua doutrina, a sua maneira de conduzir a vida e usar como referência Deus para guiar seus passos, outra coisa é você utilizar a igreja como instrumento para fortalecer candidaturas que só se fazem acontecer em função dos fiéis. Eu tento fazer da minha fé um alimento para minha alma, a fim de ter paz, tranquilidade e saúde para fazer bem o meu trabalho. 
 
Blog Vertentes e Política - Quais devem ser as prioridades de seu mandato? Quais regiões têm prioridade de sua atenção?
Arantes - Quero focar no ensino universitário, no combate às drogas, na geração de emprego e na política de incentivo ao produtor rural, sem se esquecer de ações voltadas para Segurança e Saúde. Trabalho no Sudoeste, Sul e Centro-Oeste do Estado basicamente, embora haja projetos de nossa autoria que vieram beneficiar outras regiões do Estado.

Blog Vertentes e Política - Qual a relação que o senhor pretende manter com as instâncias administrativas do Executivo Estadual e Federal, já que o governador Antônio Anastasia integra a oposição ao governo?
Arantes - Estaremos juntos com o governador Anastasia em suas ações, porque confiamos em seu trabalho para ampliar as frentes de trabalho e desenvolvimento para o Estado e seremos vigilantes constantes das ações do governo que venham a mudar a vida do brasileiro.